Helena de Troia - Francesca Petrizzo

 Um navio retorna de uma intensa batalha pelas costas gregas. Uma mulher observa o contorno do Peloponeso na penumbra do crepúsculo. É a jovem Helena, oferecida pelo pai ao conquistador Menelau para garantir a paz e sobrevivência de seu povo. Uma fatídica decisão que seria carregada de tristeza e tragédia, porque Helena começa a buscar nos braços de outros aquilo que lhe fora negado. Numa narrativa lírica e original, esta obra traz a versão de Helena da história lendária que é conhecida em todo o mundo. A disputa que originou a guerra de Troia. De sua infância em Esparta aos anos turbulentos de sua união com Menelau e a fuga com Páris e todas as suas consequências. A vida de uma mulher que estava destinada ao poder, mas era movida a paixão e seu amor provocou uma das guerras mais famosas de todos os tempos.

Eu fiquei um pouco dividida nesse livro. Foi um livro que eu não esperava muito, mas que também não esperava o que encontrei e, no entanto, também não posso dizer que o livro me surpreendeu. Foi um sentimento estranho, pois apesar de não ter ficado ávida para saber o que ia acontecer, eu também não tinha problemas em continuar lendo por horas até que alguém me interrompesse e, então, não tinha problema nenhum em largar o livro.

Francesca tem uma escrita lírica e fluida que, apesar de diferente do que estou acostumada, me fez sentir confortável. Agora eu vejo que talvez eu tenha ficado confortável até demais, pois na narrativa faltam momentos de ação, tensão, ou qualquer outro elemento que servisse para agitar um pouco as coisas. Não entendam mal, pois em momento nenhum achei o livro cansativo ou chato, mas essa falta de agitação pode incomodar algumas pessoas.

O que mais me surpreendeu no entanto, foi a forma como me senti em relação à Helena. A autora levou a trama de tal maneira que, no fim, eu já não sabia o que sentir. É como se os personagens da trama sussurrassem pensamentos, me direcionando de uma forma muito sútil a pensar como eles, mas eu não conseguia vê-la sob aquela luz. Teve algo na personagem, na forma como Francesca a construiu, que, ao meu ver, tinha exatamente a intenção de te deixar dividida. Eu queria pensar em Helena como 'a cadela', que é a forma como muitas vezes se referem à ela, mas eu simplesmente não conseguia pensar assim. Eu a vi apenas como uma mulher com um destino fatídico, alguém com quem a vida foi irônicamente gentil em certos aspectos e terrivelmente maldosa em outros.

"A adúltera. Assim me chamavam os homens da tripulação. A adúltera.
(...)
Do pouco que tive, do muito que perdi, os aedos já fazem seus relatos. Relatos mentirosos. Afinal, não estavam lá. Eu sim."

A narrativa em primeira pessoa deixou um pouco a desejar, pois apesar de ter me conectado tão bem à Helena, muitas vezes fiquei curiosa sobre os outros personagens e sobre o que estavam realmente sentindo, suas intenções, etc. Nesse ponto achei que todos, sem excessão, foram pouco explorados. E sabe ali em cima, quando eu disse que faltam momentos para agitar as coisas? Então, os poucos momentos em que as coisas poderiam se agitar foram restringidos pela narração de Helena e isso se agravou com a escrita lírica. Eu entendi que a personagem era forte e inabalável, mas isso fez com que eu também não me abalasse por nada no livro.
"...Eu que posso. Eu que sou diferente desses homens débeis ou severos, todos fracos. Eu que sou como seu pai. Forte. Eu que sou feita de pedra. E de fogo."

Outro ponto que me causou certo incomodo em alguns momentos foi quanto a parte histórica. Admito que meu conhecimento sobre a guerra de Troia e a maior parte de seus envolvidos é praticamente nulo, porém alguns acontecimentos entraram em conflito com o pouco que eu acho que sei. Não é necessariamente ruim, mas sabe quando você já tem algo fixo na cabeça e vem alguém dizendo que não é bem aquilo? Aquela pequena resistência em aceitar que pode ter sido diferente? A autora não escreveu nada que te fizesse virar e dizer "Impossível ter sido assim" - ainda mais com todo o machismo com que essas histórias eram contadas.

De maneira geral, eu não desgostei do livro. Adoro quando a autora consegue me deixar nesse impasse quanto a personagem e achei muito interessante mesmo essa versão feminina dos acontecimentos. Mas foi uma mistura de sensações tão diferentes, que eu não consigo organizar de uma forma definida. Haha' é sério gente, estou tentando me situar até agora! Eu sei que não achei o livro ruim, mas não sei dizer exatamente o que eu gosto no livro.

Avaliação:  
*exemplar para resenha
Editora: Leya (Lua de Papel)
Páginas: 208
ISBN: 9788591780108


Editora LeYa

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Boa Sorte, Queridos!


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